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Séries

Crítica/ Assédio: convincente perfil de um monstro

Série exclusiva da Globoplay conta a história do médico Roger Abdelmassih, sob cuidadosa direção de Amora Mautner

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Foto: Ramón Vasconcelos/Dvulgação

Assédio, que acaba de estrear na Globoplay, é a segunda série produzida exclusivamente para o serviço de streaming. A primeira foi Além da Ilha, uma comédia estrelada por Paulo Gustavo que, apesar do notório talento do comediante, não tem a menor graça.

World TennisAlém da Ilha não se assume como comédia — apesar de ter também no elenco a hilária Katiuscia Canoro –, quer ser meio filme de aventura e acaba não sendo uma coisa nem outra. Mas a ideia aqui não é falar mal de Além da Ilha e sim elogiar Assédio.

Inspirada na história real do médico Roger Abdelmassih, Assédio tem todos os elementos de um bom drama explorados com sensibilidade pelo roteiro de Maria Camargo e pela direção de Amora Mautner. Sensibilidade, aliás, mais que necessária para tratar de um tema tão delicado.

Maria Camargo escreveu a história a partir do livro A Clínica — A Farsa e os Crimes de Roger Abdelmassih, de Vicente Vilardaga, lançado em 2016. O foco é em cinco mulheres vítimas do especialista em reprodução humana que revelou-se um monstro: dopava pacientes e as estuprava. Muitas vezes, nem precisava disso.

Adriana Esteves, Fernanda D’Umbra, Paula Possani, Jéssica Ellen e Hermila Guedes vivem visceralmente o drama dessas mulheres, que se submeteram a tratamento de fertilidade com o médico Roger (vivido também com competência por Antonio Calloni) e foram abusadas, em diferentes circunstâncias, dentro do consultório.

A partir da história pessoal das cinco personagens — que ora aparecem dando depoimento para a câmera, como um documentário — Assédio vai traçando o perfil de Roger sem poupá-lo. Mulherengo e pouco afetuoso com mulher e filhos — dois deles médicos como ele –, o personagem real parece não ter deixado brecha para condescendência.

A frieza com que faz vítimas faz do médico de Assédio um vilão que parece saído de uma novela de João Emanuel Carneiro. Antes fosse. Dr. Roger atinge não só o corpo das mulheres que ataca, ele consegue destruir suas vidas, seus laços afetivos. Mas rezar e cita Deus o tempo todo.

Com uma narrativa que vai e vem no tempo, Assédio monta meticulosamente e sem pressa o quebra-cabeça que leva aonde o telespectador já sabe como termina, a prisão do vilão. Mas saber o final é o de menos. É uma história poderosa e bem conduzida. Digamos que, com Assédio, a Globoplay se redime do fiasco de Além da Ilha.

Séries

Upload suaviza a ideia de horror futurista

Série da Amazon combina humor, romance e aventura em história sobre paraíso artificial onde mortos sobrevivem

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Foto: Amazon Prime Vídeo/Divulgação

Upload, série que estreou este mês na Amazon Prime Vídeo, tem parentesco com Black Mirror. É ambientada no futuro não muito distante e parte de uma situação em que a tecnologia interfere na vida das pessoas de forma assustadora. Mas o clima de horror futurista que guia a série britânica de ficção científica criada por Charlie Brooker aqui se dissolve numa mistura de comédia, romance e aventura.

Criada por Gred Daniels (que tem no currículo roteiros para Simpsons, The Office e a criação de Parks and Recreations, também disponível na Amazon Prime Vídeo), Upload mostra um mundo em que qualquer pessoa, depois de morta, pode continuar vivendo num paraíso virtual. Para isso, basta fazer o upload de sua consciência pouco antes de morrer.

Só que, neste mundo pós-morte, o capitalismo também dá as cartas. Existem paraísos de várias categorias, dos mais simples até os mais luxuosos, como o Lakeview, para onde vai Nathan (Robbie Amell), o protagonista de Upload.  Ainda jovem, ele morre num inexplicável acidente de carro autônomo (carros que se movem sem motorista) e vai para o paraíso luxuoso bancado pela namorada esnobe, Ingrid (Allegra Edwards), que assim passa a ser dona do destino do rapaz.

Só que, ao mesmo em que descobre que o mundo pós-morte virtual não é esse paraíso todo, Nathan se envolve com sua anjo, Nora (Andy Allo). Anjo é como chamam a profissional da companhia de tecnologia responsável pelo Lakeview encarregada de assistir pessoalmente cada cliente. Para ficar junto, porém, Nathan e Nora terão que vencer mais que a distância entre mundo real e artificial e o cerco de Ingrid.

A trama pode até se tornar meio confusa no vai e vem entre uma realidade e outra, mas é simples e um tanto previsível, seja em relação ao romance do casal de protagonistas, seja quanto à trama que envolve o aparente assassinado de Nathan. Dessa forma, Upload dissolve a premissa à Black Mirror, tornando-se entretenimento leve, ou o tanto quanto é possível ao tratar de um tema sempre difícil como o da morte.

Uma segunda temporada de Upload já está confirmada.

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Bissexualidade é tema de Meus 2 Amores, no Looke

Na minissérie francesa de três capítulos homem fica dividido entre o namorado e uma paixão de infância

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Acaba de entrar no catálogo do Looke a minissérie Meus 2 Amores, produção para a TV francesa, exibida originalmente pelo canal ARTE, em três capítulos. Um drama leve que trata das fluidez das relações sexuais e amorosas nos tempos atuais, a partir da história de Hector, um homem divididio entre os dois amores do título.

Aos 35 anos, Hector (François Vincentelli) reencontra sua paixão de infância, Louise (Julia Faure). O encontro faz com que seus sentimentos por ela voltem à tona instantaneamente. Mas tem um problema: ele é gay e tem se relacionado com Jérémie (Olivier Barthélémy) já faz alguns anos.

Hector passa então a levar uma vida dupla, sem saber até quando pode continuar sem tomar uma decisão entre o o namorado e o antigo amor que reaparece. Uma curiosidade é a participação, como atriz, da cantora Yelle (conhecida pela canção A Cause des Garçons), no papel de Marie.

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Under the Dome, baseada em Stephen King, entra na Globoplay

Série combina fantasia, ficção científica e mistérios em três temporadas, já exibidas pelo TNT

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A imaginação de Stephen King serve de base para a série Under the Dome, série produzida entre 2013 e 2014 e exibida aqui pelo canal TNT, mas que agora entra no catálogo da Globoplay. A trama é sobre uma pequena cidade americana que, repentinamente, fica isolada do resto do mundo por uma enorme e misteriosa e indestrutível cúpula transparente.

Mistura de drama, fantasia, ficção científica e mistério, bem ao gosto do escritor, Under the Dome tem nos créditos, além de King, dois nomes de peso: o criador Brian K. Vaughan (roteirista de Lost, que é também quadrinista) e, na produção executiva, Steven Spielberg. Brian deixou a produção “amigavelmente” no início da segunda temporada – foram realizadas três no total.

7 filmes sobre a vida em tempos de smartphone

A estreia de Under the Dome na Globoplay é oportuna porque, de certa forma, a história traz referências à reclusão a que estamos submetidos atualmente. Isoladas, as pessoas presas dentro da cúpula precisam encontrar maneiras próprias de sobreviver com a diminuição dos recursos e as crescentes tensões, enquanto forças militares, governo e meios de comunicação, fora da barreira, tentam derrubá-la.

O elenco, liderado por Mike Vogel (Quatro Amigas e um Jeans Viajante) e Rachelle Lefèvre (Charmed), conta ainda com uma participação do próprio Stephen King no primeiro episódio da segunda temporada.

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