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Livros que inspiraram séries, para ler nas férias

Muito do que se tem visto na tela é tirado da literatura, mas assistir às séries não tira o prazer da leitura

Planeta Flix

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Foto: Prime Vídeo/Divulgação

Livros que inspiraram séries são mais abundantes nas prateleiras das livrarias do que se possa imaginar. Muito do que temos visto na tela (não só em séries, mas também em filmes) tem saído da imaginação de escritores. É verdade que às vezes os adaptadores usam liberdade demais na recriação, mas o essencial da trama é tirado do livro.

SaraivaMas, se posso assistir à história, por que lê-la? Porque acompanhar a mesma narrativa no livro e na tela são duas experiências muito diferentes e igualmente prazerosas. O livro dá muito mais asas à imaginação de quem lê. Além disso, é interessante e divertido constatar as diferenças entre o original e a adaptação.

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Por isso, aproveite a temporada de férias e faça esse exercício. Quer uma mãozinha? Então anote aí uma lista de 10 livros sugeridos pelo Planeta Flix, que viraram (ótimas) séries atualmente disponíveis na HBO, na Netflix e na Amazon Prime.

O Gerente Noturno, de John Le Carré
Série: The Night Manager, da Amazon Prime — foto no alto. Mais uma eletrizante história de Le Carré, autor britânico de best sellers de suspense, sobre ex-soldado britânico que trabalha num hotel de luxo no Cairo, e é envolvido por uma hóspede numa perigosa trama em torno do comédia de armas.

Altered Carbon, da Netflix, adaptação do livro de Richard Morgan (Foto: Netflix/Divulgação)

Carbono Alterado,  de Richard Morgan
Série: Altered Carbon, da Netflix. O livro de  estreia do autor americano é uma ficção científica  distópica, ambientada num mundo em que é possível viajar no tempo e no espaço trocando de consciência com outros corpos. O protagonista, Takeshi Kovacs, aparece em outros dois livros Morgan, Anjos Partidos e Woken Furies (inédito no Brasil).

Sharp Objects: Objetos Cortantes, de Gillian Flynn
Série: Sharp Objects, da HBO. Livros de Gillian Flynn inspiraram os filmes Lugares Escuros (com Charlize Theron) e Garota Exemplar (de David Fincher). Objetos Cortantes narra o retorno da repórter Camille Preaker, recém-saída de um hospital psiquiátrico, à sua cidade natal para investigar o assassinato de uma menina e o sumiço de outra.

submarino.com.brVulgo Grace, de Margareth Atwood
Série: Alias Grace, da Netflix. Desta vez, a autora de O Conto da Aia (também feito série, The Handmaid’s Tale) se inspirou num caso real, a de Grace Marks, uma criada condenada à prisão perpétua por ter ajudado a assassinar o patrão e a governanta da casa onde trabalhava, na Toronto do século 19.

A Pecadora, de Petra Hammesfahr
Série: The Sinner, da Netflix. A autora é pouco conhecida aqui, mas fez enorme sucesso em seu país, a Alemanha, quando estreou, justamente com o romance A Pecadora, sobre Cora Bender mulher que mata um homem em um lago. Apesar de sua confissão e de testemunhas, um inspetor se recusa a fechar o caso.

Deuses Americanos, de Neil Gaiman
Série: American Gods, da Amazon Prime. Da imaginação prodigiosa de Neil Gaiman sai uma intrigante trama em torno de ex-presidiário recém-libertado que tenta voltar para casa, mas acaba vivendo uma saga em que entra em contato com uma galeria de criaturas míticas, os deuses americanos. O próprio Gaiman assina o roteiro da série.

O Vulto das Torres  — O Al-Qaeda e o Caminho Até o 11/9, de Lawrence Wright
Série: The Looming Towers, da Amazon Prime. Wright já era reconhecido como jornalista e escritor, mas em 2006, com o lançamento de O Vulto das Torres, tornou-se autor best-seller com este livro-reportagem tão envolvente que deu origem à trama de ficção do Amazon Studios, estrelada por Jeff Daniels.

O Alienista, de Caleb Carr
Série: The Alienist, da Netflix. Em 1896, na cidade de Nova York, o médico Laszlo Kreizler (especialista em doenças da mente), com auxílio do repórter John Schuyler Moore, tenta descobrir o autor de uma série de assassinatos bárbaros de adolescentes, criando um perfil psicológico do assassino. Um belo exemplar da literatura de suspense.

Livro de Philip K. Dick inspira a série O Homem do Castelo Alto, do Prime (Foto: Prime Vídeo/Divulgação)

O Homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick
Série: The Man in the High Castle, da Amazon Prime. A capacidade de Philip K. Dick de antever o futuro através de uma imaginação prodigiosa fascina diretores. Philip K. Dick. Blade Runner (1982) e Minority Report (2002) são exemplos de filmes tirados de sua literatura. O Homem do Castelo Alto é outro exemplo de sua genialidade.

A Caixa Preta, de Michael Connelly
Série: Bosch, da Amazon Prime. O detetive  “Harry” Bosch é o protagonista de várias novelas policiais escritas por Connelly. A Caixa Preta (2012) é o livro mais recente. Desta vez, Bosch investigar o assassinato da fotojornalista Anneke Jespersen, ocorrido 20 anos antes em Los Angeles, durante uma onda de protestos que deu origem a dias violentos na cidade.

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10 coisas dos anos 90 que merecem ser lembradas

This is the rhythm of the 90s: a década está de volta nas séries Derry Girls, Everything Sucks e Gianni Versace

Planeta Flix

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Foto: Netflix/Divulgação

Os anos 1990 são pano de fundo de três séries disponíveis na Netflix: a irlandesa Derry Girls (foto acima) e as americanas Everything Sucks e O Assassinato de Gianni Versace. As duas primeiras giram em torno de problemas adolescentes. A terceira reconstitui os últimos dias do estilista italiano, assassinado em 1997.

Derry Girls é uma produção do Channel 4, e tem como cenário uma cidadezinha da Irlanda, onde quatro amigas jovens amigas vivem seus problemas adolescentes, completamente alienadas em relação à tensão política no país. É hilária e tem uma trilha bem rock britânico daquela época.

BradescoEverything Sucks também se passa numa cidade pequena, nos Estados Unidos, e tem uma pegada mais poética, fala das dores do crescimento de um grupo de colegas de colégio. A trilha também traz muitos nomes que estavam nas paradas nos 90, como Tori Amos, Spin Doctors, Oasis…

O Assassinato de Gianni Versace não tem intenção de fazer um revival da época, mas a Miami dos 1990 resplandece na fotografia ensolarada da série dirigida por Ryan Murphy (Glee), e entre uma cena tensa e outra a produção retrata muito dos costumes daquele tempo.

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Bom… Depois de três décadas intensas, 60, 70 e 80, os últimos dez anos do século 20 pareciam não ter tido lá esse charme, mas o distanciamento temporal (e essas séries) está mostrando que não foi bem assim. Muita água passou por baixo da ponte entre 1990 e 1999. Coisas boas e ruins.

Mas deixemos para lá o confisco da poupança no governo Collor, as mortes de Cazuza, Renato Russo e Freddie Mercury, o acidente de avião que matou os Mamonas Assassinas ou o massacre de Columbine. Vamos relembrar em 10 tópicos o que merece ser lembrado e que nos faz concluir que, pensando bem, os 1990 até que foram bem legais:

Liberdade liberdade
Foi o fim da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética, completando o processo de distensão política no mundo, que já tinha derrubado as ditaduras latino-americanas;

Conexão discada
Chegada da internet (lembra do sonzinho de discagem para pegar a conexão?) e do telefone celular (um tijolão, mas quem não queria ter o seu?);

Som digital
Popularização do CD e, em seguida, do DVD. Acostumados ao vinil e à fita VHS, nos sentíamos num filme futurista;

A multiplicação dos canais de TV
Chegada da TV por assinatura, nos dando escolha para além dos caretas canais abertos. As séries da Sony, quem lembra?

Lambada, axé e pagode
Você podia até achar que era subcultura, mas quem não dançou Beto Barbosa, Molejo e É o Tchan ou cantou “pega ela aí” e “o canto dessa cidade sou eu” e “eu falei faraó” não viveu;

This is the rhythm of the grunge
Mas talvez seu gosto fosse mais internacional, então pôde escolher entre as bandas de Seattle (exemplo, Nirvana, Pearl Jam) e o tuntistun que invadiu as pistas, vindo da Europa (Gala, Culture Beat, Double You, Corona…)

Clipe clipe
E nada disso seria a mesma coisa se não fosse a então recém-chegada MTV com suas horas ininterruptas de videoclipes;

Novelas de Benedito Ruy Barbosa
A década foi marcada por grandes sucessos — Vamp, Mulheres de Areia, De Corpo e Alma (a do Clube das Mulheres) — mas Benedito fechou o tempo com Pantanal, O Rei do Gado e Renascer. Foi ou não foi?;

Dólar a menos de 1 real
Em 1994, o então presidente Itamar Franco teve o topete de lançar a nova moeda, o Real, que chegou a valer mais que o dólar (UR$ 0,85 = R$ 1). Mas a gente já ficava satisfeito se tivesse ficado para sempre no 1 a 1;

Ele não!
Ele, no caso, era Fernando Collor, que, depois de derrotar Lula nas eleições à presidência, revelou-se tremenda decepção (para quem votou nele). Impeachment! Com caras-pintadas e tudo o mais. Estávamos finalmente numa democracia… Parecia.

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O horror da ditadura chilena em sessão dupla na Netflix

Um documentário e um filme de ficção mostram como foi sangrenta a passagem de Pinochet pelo poder

Planeta Flix

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Foto: Divulgação

O Chile viveu, entre os anos de 1973 e 1990, uma das mais violentas ditaduras da América Latina. No dia 11 de setembro de 1973, o general Augusto Pinochet, com apoio do exército e de civis, bombardeou o Palácio de La Moneda, sede do poder federal, em Santiago, para tirar de lá o então presidente Salvador Allende.

Allende, de ideias socialistas, havia sido eleito democraticamente três anos antes, mas o seu governo encontrava forte oposição da direita. O presidente resistiu até o fim e só saiu do La Moneda morto — há versões altamente questionáveis de que teria se suicidado.

Uma ideia do que se segue a partir daí é dada em duas produções atualmente disponíveis na Netflix. Um documentário, Massacre no Estádio (2019), e um filme de ficção, Colonia (2015), baseado na história real de um lugar que parecia uma caixinha de horror dentro do cenário de horror maior implantado por Pinochet.

Curiosamente, ambos são realizações de diretores não chilenos. O nova-iorquino Bent-Jorgen Perlmutt dirige Massacre no Estádio, que faz uma apurada reconstituição da história do assassinato de Victor Jara, cantor e compositor de música folk de grande sucesso, que usou sua arte para apoiar a candidatura de Allende.

De origem humilde (1938-1973), Jara fez das suas canções crônicas da vida do povo campesino e dos operários chilenos. Sua voz e seus versos tinham um poder incrível de mobilizar multidões. Um verdadeiro perigo para Pinochet e seus asseclas.

Uma das primeiras providências do governo implantado à força foi calar essa voz. Jara foi brutalmente assassinado o Estádio Chile, em Santiago. Mas seu assassinato só foi reconhecido pelo Estado chileno em 1990, por meio da Comissão da Verdade e da Reconciliação.

Massacre no Estádio é impactante, principalmente por mostrar a violência indisfarçada do governo de Pinochet — calcula-se que pelo menos 3.500 pessoas foram assassinadas pelos militares no período em que o general esteve no poder. E, também, por mostrar o descaso do Estado em buscar os verdadeiros culpados pela morte de Victor Jara.

Nazismo e fanatismo religioso
Já  longa Colonia, do diretor alemão Florian Gallagher, usa uma história de ficção para apresentar um lugar que existe até hoje no Chile, a Colonia Dignidad, uma comunidade fundada em 1961 ex-militar nazista alemão por Paul Schäfer, que também funcionou como local de tortura e morte durante a ditadura do general Augusto Pinochet.

Os moradores da colônia, um ambiente estritamente fechado, viviam sob uma rígida disciplina, que misturava exaltação às ideias nazistas e fanatismo religioso. Dedicavam-se à agricultura e não podiam deixar o local sob nenhuma hipótese.

No filme, Daniel (Daniel Brühl, de O Alienista) é um jovem artista gráfico alemão residente em Santiago em 1973 e simpatizante de Salvador Allende, a favor de quem desenha cartazes. Sua namorada, Lena (Emma Watson, de O Círculo) é aeromoça e vem a Santiago justamente quando acontece o golpe de estado e Daniel é preso.

Ela descobre então que ele foi levado para a tal Colonia Dignidad e se infiltra no local, como participante da seita, para tentar encontrá-lo. Mas isso se torna difícil porque ali mulheres e homens vivem rigidamente separados. Cinematograficamente, Colonia não chama a atenção, mas deve ser visto pelo tema de que trata.

A situação em si e a indignação e repulsa que ela causa já bastam para dar peso ao filme de Gallagher. Vale como denúncia do perigo que corremos diante do extremismo e dos regimes de vocação totalitarista. Vale para reafirmar que toda ditadura é nociva, seja de direta ou de esquerda, civil ou militar.

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5 lições que nós temos a aprender com Anne

Despretensiosamente, a heroína da série da Netflix tem atitudes que são exemplo para pessoas de todas as idades

Planeta Flix

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Foto: Netflix/Divulgação

Anne com E, a série da Netflix, não é a primeira adaptação audiovisual do livro Anne de Green Gables, da canadense Lucy Maud Montgomery. Lançado em 1908, o livro ganhou uma primeira versão cinematográfica em 1934. De lá para cá foram feitas outras tantas. Só em 2017, o romance inspirou dois longas para a tevê — inéditos por aqui.

Mas não é difícil explicar o interesse pela história. É que, sem nenhuma pretensão, a heróina Anne nos ensina lições que valem para qualquer época. São noções básicas para a boa convivência entre as pessoas e para o crescimento humano.

Malwee MalhasE valem tanto para crianças e jovens quanto para adultos de qualquer idade. Planeta Flix lista cinco delas.

Resiliência
Anne come o pão que o diabo amassou no internato, onde é vítima de bullying pesado. Depois vai morar com uma família que a maltrata e a obriga a ser babá de uma penca de filhos. Mas não desiste da possibilidade de felicidade.

Lealdade aos amigos
Anne ama Gilbert (Lucas Jade Zumann), mas não ousa admitir nem para si mesma. Tudo para não decepcionar a amiga Ruby (Kyla Matthews), que também é apaixonada pelo garoto (que na verdade gosta de Anne).

Não calar diante de injustiças
Anne sempre se colocar ao lado de Cole (Cory Gruter-Andrew) diante das maldades de Billy (Christian Martyn). E ousa desafiar inclusive o professor quando vê o amigo sendo acusado injustamente por uma coisa que o outro fez.

Usar a imaginação
Nem sempre é pão pão, queijo queijo. Anne sabe o quanto a imaginação, a capacidade de ir além da realidade, pode ser um alívio e também uma forma mais sábia de ver o mundo. Por isso não se impõe limites à capacidade imaginar.

Gostar de ler
Mesmo vivendo em situações precárias antes de chegar à casa dos irmãos Cuthbert, Anne já dava um jeito de se ocupar com a leitura. E é dos livros que ela tira muito de sua força e de sua capacidade de entender o mundo.

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