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Documentários

Rita Cadillac, pornochanchadas e ditadura na Netflix

Rita Cadillac, a Lady do Povo e Histórias que Nosso Cinema não Contava remetem ao Brasil dos anos 1970

Planeta Flix

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Foto: Reprodução

Dois ótimos documentários brasileiros estão disponíveis na Netflix: Histórias que Nosso Cinema (não) Contava, de Fernanda Passos, e Rita Cadillac – A Lady do Povo (2007), de Toni Venturi. Ambos trazem referências aos anos 1970 (Rita… se estende às décadas seguintes) e oferecem amostras para uma análise da moral brasileira nos últimos 50 anos.

Em Histórias que Nosso Cinema (não) Contava, Fernanda Passos reuniu cenas de algumas antológicas pornochanchadas produzidas nos anos 1970 para mostrar que esses filmes não era só sacanagem. Títulos como Histórias que Nossas Babás não Contavam (foto no alto, Nos Embalos de Ipanema, Amadas e Violentadas…


O resultado é surpreendente: das histórias pretensamente eróticas, saltam cenas de tortura e crítica política em plena ditadura. Usando como narrativa apenas a colagem de cenas — num impressionante trabalho de pesquisa, montagem e edição. –, a diretora vai além do aspecto político e traça um perfil do imaginário brasileiro da época.

Conflitos de classes, de gerações, questões de gênero, aborto, crise econômica. Está tudo ali, entre corpos nus e diálogos picantes. O triste é constatar que em muitos desses tópicos a mentalidade brasileira não avançou um centímetro, mesmo assim o filme rende boas risadas e muita reflexão.

Rita Cadillac – A Lady do Povo também dá o que pensar. Toni Venturi se propõe a fazer um perfil de um ícone da cultura pop/popular nacional, e o faz bem delineado. Indo de Rita de Cássia, nome verdadeiro da ex-chacrete, e Rita Cadillac, Venturi retrata também a moral e o moralismo do brasileiros das últimas décadas.

A história pessoal de Rita é cheia de detalhes que renderiam um folhetim. A perda do pai na infância, o abandono da mãe, a primeira paixão adolescente, o casamento sem amor, a violência do marido, o encontro com uma irmã que ela não sabia que existia…

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Os dramas e vitórias de Rita espelham as histórias de muitas mulheres brasileiras que, como ela, precisaram ir à luta para vencer o machismo e ter direito a se expressarem. Entre Rita de Cássia e Rita Cadillac, expõe-se o moralismo que condena de antemão essas mulheres que não se conformam em ser o que esperam delas.

 

Documentários

Festival #ditaduranuncamais é destaque no Libreflix

Oito documentários mostram diferentes aspectos da ditadura militar no Brasil. Acesso gratuito

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A ditadura militar no Brasil, que durou de 1964 a 1985, é abordada sob diferentes aspectos em oito documentários que a Libreflix destaca em seu catálogo sob o nome de Festival #ditaduranuncamais. Três deles são dirigidos pelo cineasta Silvio Tendler (Jango, Marighella e Advogados Contra a Ditadura).

A Libreflix se define como “uma plataforma de streaming aberta e colaborativa que reúne produções audiovisuais independentes, de livre exibição e que fazem pensar”. O catálogo tem curtas, médias e longas-metragens documentais e de ficção, que podem ser assistidos livremente.

Conheça os filmes do Festival #ditaduranuncamais:

Conservadorismo em Foco (Arthur Moura , 2018, 71min.)
Moura expõe o processo histórico de formação do conservadorismo na Europa e nos Estados a partir da década de 1930 e acompanha seus desdobramentos até os dias atuais no Brasil. Um filme sobre a ideologia burguesa e suas formas de dominação.

Cúmplices? (Thomas Aders , 2017, 45min.)
Produzido pela TV pública alemã, o documentário faz um levantamento histórico das atividades da Volkswagen do Brasil e suas relações com a ditadura militar brasileira.

Em Busca da Verdade (Deraldo Goulart , 2015, 112min.)
O documentário apresenta as principais investigações da Comissão Nacional e das Comissões Estaduais da Verdade sobre as graves violações de direitos humanos ocorridas na ditadura de 1964.

Filhos da Ditadura (Emanuelle Menezes, 2016, 30min.)
Emanuelle Menezes resgata, neste filme, a história de brasileiros que desde muito cedo vivenciaram os prejuízos e os traumas de viver em um ambiente antidemocrático, como o que reinou no país entre 1964 e 1985.

Jango (Silvio Tendler, 1984, 115min.)
O filme refaz a trajetória política de João Goulart, popularmente chamado de Jango, o 24° presidente brasileiro, deposto por um golpe militar nas primeiras horas de 1º de abril de 1964.

Marighella (Silvio Tendler, 2001, 55min.)
Deputado constituinte de 1946 e um dos principais dirigentes do Partido Comunista (cassado quando o partido foi posto na ilegalidade), Carlos Marighella foi um dos líderes da luta armada contra a ditadura militar brasileira. O personagem é retratado em filme ficcional dirigido por Wagner Moura, que teve estreia cancelada no Brasil no ano passado.

Os Advogados Contra a Ditadura (Silvio Tendler, 2014, 130min.)
Tendler mostra como, com a instauração da ditadura civil militar no Brasil, a atuação de advogados na defesa dos direitos e garantias dos cidadãos foi fundamental no confronto com a repressão, ameaças e todo tipo de restrições.

Verdade 12.528 (Paula Sacchetta , 2013, 54min.)
O documentário de Paula Sacchetta trata da importância da Comissão Nacional da Verdade, através de depoimentos de vítimas da repressão, ex-presos políticos e outras pessoas afetadas direta ou indiretamente pela ditadura civil e militar no nosso país.

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Documentários

Netflix tem outros docs da diretora de Democracia em Vertigem

Com Elena e Olmo e a Gaivota, serviço de streaming completa trilogia de longas de Petra Costa

Planeta Flix

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Quem estranhou o tom pessoal usado por Petra Costa no documentário Democracia em Vertigem vai entender a razão dessa escolha da cineasta ao assistir Elena (2012) e Olmo e a Gaivota (2015). Os dois longas anteriores da diretora mineira estão disponíveis na Netflix e revelam um aspecto comum à obra de Petra: o documentário feito a partir de experiências pessoais, mesmo que a intenção seja tratar de um tema mais amplo.

Em Elena, Petra Costa conta a história de sua irmã, que viajou para Nova York com o sonho de se tornar atriz de cinema, deixando para trás a irmã, então com sete anos. Duas décadas depois, Petra vai a Nova York em busca de Elena. As pistas que a cineasta tem para chegar à irmã são filmes caseiros, recortes de jornais, um diário e cartas. A história toma rumos surpreendentes.

Olmo e a Gaivota acompanha a gravidez da atriz Olivia Corsini. Ou melhor, sobre o que se passa na mente de Olivia nesse período de nove meses, trazendo à tona reflexões sobre temas como maternidade e corpo feminino. Grávida, ela ensaia, com o Théâtre du Soleil, a pela A Gaivota, de Tchekhov, e acaba perdendo o papel por causa da barriga crescente. Petra faz um filme em que é difícil distinguir o que é real e que é representado.

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Documentários

Doc no Prime mostra como Amazônia está virando pasto

Sob a Pata do Boi é um filme obrigatório no momento em que a floresta é corroída pelo fogo

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Foto: Divulgação

Vale a pena dar um tempinho na ficção para assistir ao documentário Sob a Pata do Boi, disponível no Prime Vídeo (e também para aluguel no YouTube Filmes). Dirigido por Marcio Isensee e Sá, o filme foi lançado no ano passado, mas não poderia haver hora mais oportuna para vê-lo, afinal a destruição da floresta amazônica é um dos temas mais preocupantes do momento em nosso país e no mundo.

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Sob a Pata do Boi mostra, nas últimas quatro décadas, as árvores da Amazônia perderam a vez para o pasto. Nos anos 1970, a criação de gado na região era pequena e a floresta estava intacta. No entanto, de lá para cá, uma porção equivalente ao tamanho da França desapareceu, da qual 66% virou pastagem. A pecuária tomou conta da floresta, que abriga 85 milhões de cabeças de gado, três para cada habitante humano.

A Amazônia tem sido um tema recorrente na obra do diretor Marcio Isensee e Sá — cineasta com formação em Ciências Sociais. Ele dirigiu Andes Agua Amazônia (2012) e Um Rio em Disputa (2015) antes de Sob a Pata do Boi, com o qual percorreu festivais na Alemanha, Hungria, Eslováquia e França, onde recebeu uma menção honrosa no FReDD Festival, em Toulouse.

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