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Documentário mostra como internet ameaça a democracia

Documentário da Netflix mostra como nossos dados têm sido perigosamente usados para minar a democracia

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Foto: Netflix/Divulgação

Privacidade Hackeada, documentário que estreou esta semana na Netflix, é sobre um assunto que muitos de nós já sabemos: as grandes empresas de tecnologia estão se apossando de nossos dados pessoais para nos vender produtos e nos induzir a pensar dessa ou daquela forma. Mesmo assim, o filme de Karim Amer e Jehane Noujaim é assustador porque mostra de forma minuciosa o estrago que essa prática pode provocar no mundo.

O centro da narrativa é a Cambridge Analytica, empresa responsável pela condução da campanha de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e que estaria também por trás da campanha para o plebiscito que decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia. A partir daí, os diretores conduzem uma trama carregada de lances que parecem fazer parte de uma ficção científica distópica.

O grande xis da questão é como a Cambridge Analytica usou, indevidamente, os dados pessoais dos seguidores do Facebook para induzi-los a escolher Trump. Sabe-se que a empresa tinha acesso a 5 mil pontos sobre cada eleitor americano e utilizou isso para moldar a realidade por meio de notícias falsas, de forma a potencializar os pontos de vista dos eleitores.

Para explicar a história, os diretores recorrem a personagens como o professor  Steve Bannon, que entrou com processo para obrigar a Cambridge a lhe entregar seus dados; dois ex-funcionários da empresa — o engenheiro de sistemas Chris Whyle e a executiva Brittany Kaiser — e a jornalista investigativa Carole Cadwalladr, do jornal britânico The Guardian, que ajudou a expor o caso ao público.

Whyle e Kaiser atuaram em postos-chave dentro da Cambridge Analytica e resolveram contar tudo o que sabiam, trazendo à tona o perigo que ronda, atualmente, qualquer cidadão que posta fotos, comenta ou simplesmente dá um like nas redes sociais. São dois personagens polêmicos, cujas motivações podem ser postas em dúvida mas não os desmentem.

Privacidade Hackeada foca no caso americano, mas diz respeito a qualquer cidadão do mundo que acesse um computador ou smartphone. Embora a Cambridge Analytica tenha encerrado suas atividades,  o perigo se mantém como “uma força tenebrosa que nos conecta globalmente”, nas palavras de Carole Cadwalladr. A tecnologia, tudo leva a crer, se mantém a serviço de quem a queira usar, sem que ainda haja um controle rigoroso sobre isso.

Que o diga Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, que se perde em evasivas quando é chamado a explicar num tribunal — o que é mostrado no documentário — como esses dados foram parar nas mãos da Cambridge Analytica. De posse desses dados, a empresa criou uma estratégia tão bem-sucedida que tem sido replicada em todo o mundo. Inclusive, no Brasil.

Desde o início de Privacidade Hackeada é difícil não associar ao nosso país o que se vê no filme, e não por coincidência. Na parte final da narrativa, o Brasil aparece como um exemplo de como a manipulação de dados e a produção de fake news está ajudando a extrema direita a avançar no mundo.

E por mais que tenhamos visto em matérias esparsas muito do que está no filme, Privacidade Hackeada tem extrema força ao “organizar” os fatos. O resultado é preocupante porque, como também diz Carole Cadwalladr, já não é o caso de ser de direita ou de esquerda, mas sim de saber se ainda teremos eleições legais e justas depois disso.

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Netflix tem outros docs da diretora de Democracia em Vertigem

Com Elena e Olmo e a Gaivota, serviço de streaming completa trilogia de longas de Petra Costa

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Quem estranhou o tom pessoal usado por Petra Costa no documentário Democracia em Vertigem vai entender a razão dessa escolha da cineasta ao assistir Elena (2012) e Olmo e a Gaivota (2015). Os dois longas anteriores da diretora mineira estão disponíveis na Netflix e revelam um aspecto comum à obra de Petra: o documentário feito a partir de experiências pessoais, mesmo que a intenção seja tratar de um tema mais amplo.

Em Elena, Petra Costa conta a história de sua irmã, que viajou para Nova York com o sonho de se tornar atriz de cinema, deixando para trás a irmã, então com sete anos. Duas décadas depois, Petra vai a Nova York em busca de Elena. As pistas que a cineasta tem para chegar à irmã são filmes caseiros, recortes de jornais, um diário e cartas. A história toma rumos surpreendentes.

Olmo e a Gaivota acompanha a gravidez da atriz Olivia Corsini. Ou melhor, sobre o que se passa na mente de Olivia nesse período de nove meses, trazendo à tona reflexões sobre temas como maternidade e corpo feminino. Grávida, ela ensaia, com o Théâtre du Soleil, a pela A Gaivota, de Tchekhov, e acaba perdendo o papel por causa da barriga crescente. Petra faz um filme em que é difícil distinguir o que é real e que é representado.

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Doc no Prime mostra como Amazônia está virando pasto

Sob a Pata do Boi é um filme obrigatório no momento em que a floresta é corroída pelo fogo

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Foto: Divulgação

Vale a pena dar um tempinho na ficção para assistir ao documentário Sob a Pata do Boi, disponível no Prime Vídeo (e também para aluguel no YouTube Filmes). Dirigido por Marcio Isensee e Sá, o filme foi lançado no ano passado, mas não poderia haver hora mais oportuna para vê-lo, afinal a destruição da floresta amazônica é um dos temas mais preocupantes do momento em nosso país e no mundo.

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Sob a Pata do Boi mostra, nas últimas quatro décadas, as árvores da Amazônia perderam a vez para o pasto. Nos anos 1970, a criação de gado na região era pequena e a floresta estava intacta. No entanto, de lá para cá, uma porção equivalente ao tamanho da França desapareceu, da qual 66% virou pastagem. A pecuária tomou conta da floresta, que abriga 85 milhões de cabeças de gado, três para cada habitante humano.

A Amazônia tem sido um tema recorrente na obra do diretor Marcio Isensee e Sá — cineasta com formação em Ciências Sociais. Ele dirigiu Andes Agua Amazônia (2012) e Um Rio em Disputa (2015) antes de Sob a Pata do Boi, com o qual percorreu festivais na Alemanha, Hungria, Eslováquia e França, onde recebeu uma menção honrosa no FReDD Festival, em Toulouse.

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Serial killer Ted Bundy é tema de série documental na Netflix

História real do filme Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal, com Zac Efron, é contada em quatro episódios

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Ted Bundy: A irresistível face do mal
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No filme Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal, de Joe Berlinger, em cartaz nos cinemas, Zac Efron (foto acima) interpreta um serial killer que decide fazer a própria defesa no julgamento em que é acusado de matar pelo menos 30 mulheres, em sete estados dos Estados Unidos, durante os anos 1970. O longa é baseado em uma história real, contada também em série documental na Netflix, Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy.

Com quatro episódios, a série, por sinal, é do mesmo diretor do longa. E foi realizada quase que ao mesmo tempo em que o filme era rodado. Nela, Berlinger parte de matérias dos jornalistas Stephen Michaud e Hugh Aynesworth, que trouxeram à tona o caso, e segue até o julgamento, em que Ted Bundy foi condenado à pena de morte por eletrocussão.

Para contar a história, utiliza depoimentos de advogados, detetives, jornalistas, de amigos de Bundy e do próprio assassino. Diferente do filme, em que usa como base o livro The Phantom Prince: My Life with Ted Bundy, de Elizabeth Kendall, ex-namorada so serial killer.

Ted Bundy na verdade se chamava Theodore Robert Cowell. Era charmoso e comunicativo, o que o fazia arranjar namoradas com uma grande facilidade. A mesma facilidade com que as matava. Estudante de direito, optou por conduzir ele mesmo seu julgamento de defesa, e por muito tempo conseguiu convencer a todos de sua inocência.

Mas quando as evidências de seus crimes vieram à tona, chocou os Estados Unidos pela perversidade e crueldade com que assassinava suas vítimas. Conseguiu escapar da prisão nas duas vezes em que foi preso, dando continuidade a sua série de crimes, que só foi interrompida após ser julgado e levado ao corredor da morte.

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